Adriana Wildness / Artigos

Liberdade e sororidade

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Texto por: Adriana Wildness

Feminismo: a ideologia que uma mulher deve ter os mesmos direitos políticos, sociais e econômicos que os homens têm. Esta é a definição que se encontra nos dicionários e que eu sigo como lei na minha vida: a procura da liberdade e da igualdade.


Nestes últimos anos o meu interesse pelo tema aumentou e, como tal, tenho feito por me informar mais sobre o mesmo. Textos, notícias, filmes, livros, arte social e até mesmo música entraram neste “estudo”. Se há algo que eu reparei é que a luta do feminismo vai muito além da definição. Falo de uma sociedade com muitos padrões machistas que estão enraizados em todos nós. Repito: em todos nós. Até eu, feminista, já tive comportamentos que foram fruto de um meio patriarcal onde estou inserida. Há coisas que estão tão no nosso cerne que temos mesmo que fazer um esforço para combater e desconstruir estes ensinamentos infelizes. Falo, por exemplo, do body shaming (policiamento de corpos) que consiste em humilhar pessoas que não têm o corpo como a sociedade idealiza.


Portanto, se não estás no padrão serás posta de lado e irão fazer-te sentir feia. E assim se formam mulheres inseguras, que se olham ao espelho e não gostam do que estão a ver, que irão estar sempre em guerra com elas próprias. Desde que me lembro o ser bonito é ser magro. Mas não demasiado!! Assim vão chamar-te ossinhos, tens que ser mesmo como as atrizes dos Morangos Com Açúcar ou estás tramada. Então é só revistas (cheias de Photoshop) com modelos com “aquele” corpo e ao lado a dieta do momento, publicidades com a bebida de não sei as quantas, representatividade de corpos reais é que nunca. Enfim! É uma palhaçada. Eu sei. Mas sempre que engordo ouço comentários menos bons e isso afecta-me. E odeio-me ver ao espelho. E sinto-me feia e horrivelmente gorda. Penso ” Adri, fofinha, então… Não foi assim que te eduquei.” Mas… de nada serve. Lixa-te sociedade que me padroniza.


Comecei com o tempo a perceber que o feminismo vai além da definição de igualdade entre gêneros. É a liberdade e igualdade dentro das mulheres também. É o quebrar todos os padrões sexistas. Como vi numa imagem incrível: Se o teu feminismo não engloba body positive (liberdade para todos os corpos), black feminism (mulheres negras na luta dos direitos ou então feminismo anti-racista), não incluí as mulheres transexuais, não incluí o pro-choice (a liberdade de uma mulher poder decidir se quer ou não filhos, entra na temática da legalização do aborto), não têm em atenção classes sociais, põe de lado a questão religiosa e julgas mulheres que vivem a sexualidade de uma forma diferente da tua… então és feminista para quem?


As mulheres crescem numa sociedade machista e como tal produzem machismo entre elas mesmas. E isto é um grande problema. Um dia li das melhores frases de sempre: Mulheres vocês não são a competição: são a união. E nesse momento todo o meu corpo se arrepiou e entendi que feminismo é também sororidade. Mas competição entre mulheres? Sim, existe muita, como resultado de uma sociedade machista e sexista. Mas como? Ora… O simples facto de haver um padrão de beleza. Até a cor dos olhos e do cabelo importam! Aquele “tipo” é a mulher perfeita. Sentimos sempre uma espécie de ameaça quando socializamos com uma pessoa mais próxima deste padrão do que nós. E atacamos. É triste. Já me disseram “mamas grandes estão fora de moda”. Nossa, que soco no estômago ouvir isto de uma outra mulher. Este padrão de beleza só serve para haver comparação entre nós mesmas e competição. E isto, meninas, tem que acabar.


Sempre que duas famosas usam uma peça de roupa igual há um disparo de imensos artigos com o título “quem veste melhor?”. Ora isto é uma competição entre duas mulheres bastante fria e directa. Não sei descrever o quanto isto me irrita.


A típica frase do “tu não és como as outras”. Fofas, isto não é um elogio!! Uma pessoa não tem o direito de rebaixar nenhuma outra mulher para que tu te sintas bem e valorizada. Esta frase é o resultado da velha mentalidade do “se não fores assim nenhum homem te vai querer” ou “mulher de verdade tem que ser assim e assado” (aaarrrrgggg) ou “mulher tem que ser bela, recatada e de lar“. É sexista, é padronizar uma mulher. É o ditar como uma mulher têm que ser só para agradar os homens. E só os homens machistas é que querem oprimir e que pensam assim, diga-se por passagem.


Estão sempre a nos meter em competição: seja pelo físico, pela personalidade, pelos comportamentos.. Enfim. Se um homem te traí vão atribuir a culpa a outra mulher, mesmo que ela nem saiba da tua existência. A culpa nem é dela porque quem te deve lealdade é ele mas… a culpa é sempre da mulher né?


Estas correntes que nos agarram têm que ser quebradas de forma urgente. O machismo e o sexismo vão além da relação de igualdade entre homem e mulher. Está também no julgamento e na prisão que uma mulher sente só por ser mulher e que se faz sentir entre as mulheres. Não faz sentido dizeres que és feminista mas depois estares em guerra com as que são iguais a ti. É preciso haver união, respeito e tolerância. Temos que nos unir para combater o machismo. De mãos dadas pela mesma causa.


Sinto que ainda tenho um longo percurso pela frente e que tenho ler e questionar mais. Mas ja estou muito melhor do que no meu ponto de partida. Olho para uma mulher e vejo uma irmã. Penso em feminismo e idealizo liberdade e sororidade.

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